sábado, 19 de janeiro de 2013

Consertando ou concertando o Mundo?

Estamos sempre prontos para provocar uma revolução, principalmente se for na vida dos outros, pois, dessa forma levantamos a bandeira dos bons costumes e, como nas "Caças as Bruxas", queimamos todo o mal (o outro...) pela raiz.
A sociedade (macro) é formada pelas famílias (micro); o conceito daquilo que chamamos bons costumes, e que consideramos de bom tom que todos sigam, começa dentro de casa. Queremos abolir, só para ilustrar, a violência, a falta de educação, o abuso de qualquer tipo, enfim, queremos abolir o que muitas vezes habita em nossas casas.
É comum uma mãe, desavisada e com a "trava na visão", encher a boca para falar que o filho da outra é maconheiro, homossexual, vagabundo, violento, perverso e por ai vai. Esquece-se que o próprio filho fuma maconha, que se envolve em orgias e comete pequenos furtos.
A Escola não pode ser usada para formatar as pessoas, muito menos para constranger pessoas que possuem uma religião diferente da nossa. É papel das famílias educar os seus filhos de acordo com a orientação religiosa, é papel da família educar os seus filhos e orientá-los sexualmente, é papel da família a educação para uma vida em família.
Não concordo com a Deputada Myrian Rios por vários motivos e por isso postei na íntegra uma máteria que foi publicada pelo estadão e está disponível no link abaixo.



Agora é lei: o projeto que institui no Estado do Rio o nebuloso "Programa de Resgate de Valores Morais, Sociais, Éticos e Espirituais" foi sancionado na quinta-feira, 17, pelo governador Sérgio Cabral (PMDB). A responsável pela iniciativa é a deputada Myrian Rios (PSD), atriz e missionária católica do movimento de renovação carismática.
Nesta sexta-feira, a chamada "lei dos bons costumes" foi um dos assuntos mais comentados - e criticados - no Twitter entre usuários brasileiros. A finalidade do programa não está clara. Na justificativa do projeto apresentada à assembleia e divulgada nesta sexta pela deputada em redes sociais, ela afirma que a sociedade "vem cada dia mais se desvencilhando dos valores morais, sociais, éticos e espirituais", acrescentando que, sem eles, "tudo é permitido, se perde o conceito do bom e ruim, do certo e errado". "Perde-se o critério do que se pode e deve fazer ou o que não se pode. Estamos vivendo em um mundo onde o egoísmo e a ganância são predominantes", diz Myrian.
O texto da lei estabelece que o programa deverá envolver "diretamente a comunidade escolar, a família, lideranças comunitárias, empresas públicas e privadas, meios de comunicação, autoridades locais e estaduais, organizações não governamentais e comunidades religiosas" na chamada revisão dos valores.
Após uma chuva de críticas, a deputada escreveu no Twitter que "em momento algum se faz discriminação contra qualquer religião ou sexualidade". Um dos críticos escreveu para ela que "a discriminação é clara, evidente, preconceituosa e ilegal; em especial contra gays e ateus".

Eleita em 2010, Myrian já declarou no plenário da assembleia: "Ora, se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho que ter o direito de não querer um funcionário homossexual, se for da minha vontade." No mesmo discurso, ela insinuou que a luta contra a homofobia estimularia a pedofilia, depois disse que foi mal interpretada e pediu desculpas.

Em entrevista nesta sexta, a deputada disse que o projeto trata do "resgate de valores da vida". Perguntada sobre como a questão do aborto seria abordada no programa, ela declarou: "Sou completamente contra. Isso é um valor moral." Segundo Myrian, a definição das prioridades será uma atribuição do governo estadual. "A sugestão que estamos dando é que se crie grupos de voluntários para fazer campanhas dentro das escolas, com palestras." Estão previstos convênios com prefeituras e ONGs.
Indicada como órgão gestor, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos foi procurada pela reportagem, mas divulgou apenas uma nota, informando que a lei "ainda precisa de um decreto regulamentando-a e indicando os critérios de execução". "Ao publicá-la, o governador entende que se trata de um programa importante, mas não é uma lei auto aplicável", acrescentou. O secretário Zaqueu Teixeira (PT) não quis dar entrevista.
Segundo Myrian, que posou nua para revistas masculinas na década de 1970, quando foi casada com o cantor Roberto Carlos, o objetivo principal é "conscientizar e reinserir valores para construir um futuro melhor". "Ao longo da vida a gente vai amadurecendo e aprendendo. Estou disposta a ajudar." Professora da Faculdade de Educação da UFRJ, Tania Zagury avalia que seria muito mais válido o governo investir na qualificação do magistério. "Cidadania e valores éticos não surgem por meio de decretos ou leis", diz. "É quase uma volta da moral e cívica, com o risco de se misturar questões religiosas. O Estado deve ser laico, não pode interferir nisso."

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