segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

RAKU, oficina de cerâmica

Investir em conhecimento é investir com inteligência; na inteligência. Não faz muito tempo eu ouvi alguém reclamar que aqui não há incentivo para a cultura, uma visão de quem quer comidinha na boca. Cultura, para quem se diz artista, é item de primeira necessidade, sendo assim, é algo que se busca. Estive fazendo uma oficina de cerâmica no Rio, aprendendo uma das inúmeras técnicas de queima. Não vai demorar muito e eu vou abrir um atelier, e esse será referência na região.
Enquanto os bons ventos da cultura ainda não se estabelecem por aqui, o importante e proliferar os conteúdos, e isso não custa nada. Com vocês um pouco da técnica de queima chamada Raku:


O Raku - técnica japonesa de queima cerâmica era utilizado inicialmente nas peças da cerimônia do chá.
Esta cerimônia era praticada desde o século XII, mas os potes Raku remontam ao final do século XVI, em Kioto, quando o mestre do chá Sem-no-Rikyû (1522-1591) pediu ao ceramista Chôjirô (falecido em 1589) que fizesse tigelas de chá para a chanoyu (cerimônia do chá japonesa).
Rikyû foi o mais famoso mestre de chá do seu tempo e vivenciava a cerimônia do chá com uma profunda dimensão espiritual. As tigelas de chá com vidrado negro e vermelho com queima Raku confeccionadas por Chôjirô, 1 a geração da dinastia Raku, no início dos anos de 1580 seguiam os preceitos da estética de Rikyû e continham sua idealização de austeridade, do inacabado e do significado não explícito.
No Japão, a tradição Raku tem sido passada de pai para filho há 400 anos, sem nenhuma instrução escrita. Cada geração tem que reinventar seu próprio trabalho. A inovação é a verdadeira tradição da dinastia RaKu.
Raku Kichizaemon XV nasceu em Kioto em 1949. É o filho mais velho de Raku Kakunyû XIV. Graduou-se em Escultura na Universidade de Tóquio e posteriormente estudou na Itália, tendo recebido o título de 15 a geração da dinastia Raku, aos 32 anos. As peças Raku são consideradas parte do Tesouro Nacional e têm valor incalculável.
Em 1911, o inglês Bernard Leach foi estudar no Japão e estabeleceu contato com o ceramista Shôji Hamada e ao retornar ao ocidente introduziu a técnica Raku na cerâmica européia, sendo que no início, as peças desenvolvidas ainda estavam ligadas às formas tradicionais orientais.
Nos EUA, o Raku foi introduzido por Gilberson que em 1939, também foi estudar no Japão.
Mas sem dúvida, o amplo uso atual da técnica de queima Raku no Ocidente, deve-se ao ceramista norte-americano Paul Soldner, que tendo estudado no Japão, desenvolveu nos anos sessenta a técnica de redução pós-cocção.
Assim, no Ocidente, a técnica Raku consiste em queimar peças vidradas até cerca de 980ºC quando então são retiradas do forno ainda incandescentes e colocadas dentro de uma câmara de redução. No Japão as peças são retiradas do forno e resfriam ao ar livre.

fonte: http://www.ufrgs.br/lacad/patioraku.html

Algumas fotos da oficina:




As fotos acima são do forno à gás (maçarico), ele alcança 1000 graus de temperatura.



As máscaras já finalizadas, um trabalho com um resultado plástico maravilhoso.



A diferença da peça crua e a peça acabada.

Para finalizar o post, eu não consigo perceber a atuação das associações de artistas da região, sei que elas existem no papel, mas não observo nenhuma ação concreta. Talvez tenhamos que criar uma de fato, uma que possa reunir os objetivos pessoais com os da comunidade dos artistas, a fim de promover a criação de um atelier comunitário bem aparelhado e com professores realmente graduados e comprometidos com a promoção da cultura local. 

Isto já está em andamento, é esperar para ver.




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